Montamos a "Tenda de Campanha" a dois quilómetros da Gruta do Escoural, no Centro Interpretativo, que fica em Santiago do Escoural. Naquela gruta há vestígios de presença humana com 50 mil anos, natural, portanto, que a conversa vá por aí, mas não só. À mesa, os jornalistas Fernando Alves e Pedro Pinheiro, com o apoio técnico de Joaquim Pedro, sentam um arqueólogo que é o responsável técnico pela gruta, a guia da gruta, a presidente da associação "Unidos pelo Escoural", um homem que viveu longe, mas voltou logo que se deu o 25 de Abril e os proprietários de dois restaurantes mais conhecidos da vila. Na emissão da noite desta terça-feira entram ainda a maestra e todas as mulheres do Grupo Coral Feminino "As Escouralenses". 1ª Hora: 2ª Hora: António Carlos Silva Arqueólogo. É o responsável técnico pela gruta do Escoural. Sónia Contador Mestre em línguas, mas nunca conseguiu trabalho nessa área. É a actual guia da gruta do Escoural. Maria Emília Risso Presidente da associação de amigos “Unidos pelo Escoural”. Adelaide Simões Maestra do grupo coral feminino “As Escouralenses”. Manuel Azinheirinha e Daurindo Rabino São proprietários dos dois restaurantes mais conhecidos da vila, que estão frente a frente, separados pela EN2. António Vagarinho  Reformado. Esteve emigrado na Alemanha, mas voltou a Santiago logo após o 25 de Abril. &n
 
Entre o passado do arroz e o presente da cortiça, montamos a "Tenda de Campanha" na Escola de Música da Orquestra Ligeira de Ponte de Sor. À mesa, os jornalistas Pedro Pinheiro e Fernando Alves, com o apoio técnico de Joaquim Pedro, conversam, entre outras coisas, sobre o único clube alentejano a disputar uma liga principal, uma "primeira divisão", com um dirigente do Eléctrico de Ponte de Sor, e também com o director artístico e o maestro da Escola, um professor de línguas, um estudioso do arroz e da moagem de cereais, um aluno de mestrado que estuda o sector corticeiro e um homem que trabalha com toxicodependentes. 1ª Hora: 2ª Hora:   Ricardo Miguel Director artístico da orquestra ligeira Pedro Pereira Maestro da orquestra ligeira, é polícia de profissão. João Correia Licenciado em história. Está a fazer mestrado sobre a fábrica de moagem de cereais e descasque de arroz. Carlos Faísca É técnico superior na biblioteca municipal. Está a fazer doutoramento sobre o sector corticeiro. Luís Fernandes Dá aulas de mandarim num centro de línguas, e de japonês num centro de línguas. Leandro Abrantes Pertence à associação Caminhar. Desenvolve trabalho junto de toxicodependentes. Bruno Fernandes Dirigente do Eléctrico de Ponte de Sor. &n
 
Na Sertã há um homem que tem feito da Estrada Nacional 2 o palco para mostrar a melhor gastronomia da região. A estrada passa à porta de Jorge Nunes o homem dos "Sabores do Pinhal", e por ela, pelos mais diversos meios, gente que, vinda sobretudo de Chaves, segue ao encontro do Algarve. &n
 
É na aldeia de Penedo que fica o ponto central da Estrada Nacional 2. De lá estamos à mesma distância de Chaves e de Faro. Lurdes Domingues é quem vive mais próximo desse ponto, situado no Pinhal Interior, uma região muito marcada pela pobreza e envelhecimento. Ela habita a primeira casa da pequena aldeia e é também a proprietária da única farmácia de Vila de Rei. Sobre o quilómetro 369 da Nacional 2 Lurdes diz que ali não se passa quase nada. &n
 
É na Rua Escura, em Viseu, que se faz luz na conversa sob a "Tenda de Campanha" na noite desta quarta-feira. A Casa Boquinhas, taberna desde 1912, enche-se com os jornalistas Fernando Alves e Pedro Pinheiro, e com o técnico de som Joaquim Pedro, e duas pequenas mesas repletas de convidados. Os donos da Casa, um produtora de eventos culturais, um arquitecto, um editor e professor, a directora de produção de um teatro, um psicólogo norte-americano e quem mais conseguiu entrar. 1ª Hora: 2ª Hora: Sr. Raul e D. Elisa Proprietários da Casa Boquinhas Sandra Oliveira Produtora de eventos culturais. É a “alma” dos Jardins Efémeros Álvaro Pereira Arquitecto. João Luís Oliva Editor, professor e... autodenomina-se ainda “andarilho”. Esteve ligado à produção de discos de Zeca Afonso e Júlio Pereira. John McAdam É norte-americano. Psicólogo. Fundador da Ervital, empresa sediada em Mezio. Produz ervas aromáticas e medicinais. Paula Teixeira Directora de produção do Teatro de Montem
 
Na viagem entre Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, o jornalista Fernando Alves parou em Vilarinho da Samardã para uma conversa com Manuel Vilela. Lá, na Samardã, fica o Fojo do Lobo, descrito por Camilo Castelo Branco como "uma cerca de muro tosco de calhaus a esmo onde se expunha à voracidade do lobo uma ovelha tinhosa." Manuel Vilela é o presidente da Liga dos amigos do Fojo do Lobo de Camilo Castelo Branco e falou da necessidade de recuperar esse local histórico. "Na vertente da montanha que dominava a Samardã, havia um fojo - uma cerca de muro tosco de calhaus a esmo onde se expunha à voracidade do lobo uma ovelha tinhosa. O lobo, engodado pelos balidos da ovelha, vinha de longe, derreado, rente com os fraguedos, de orelha fita e o focinho a farejar. Assim que dava tento da presa, arrojava-se de um pincho para o cerrado. A rês expedia os derradeiros berros fugindo e furtando as voltas ao lobo que, ao terceiro pulo, lhe cravava os dentes no pescoço e atirava com ela escabujando sobre o espinhaço; porém transpor de salto o muro era-lhe impossível, porque a altura interior fazia o dobro da externa. A fera provavelmente compreendia então que fora lograda; mas em vez de largar a presa, e aliviar-se da carga, para tentar mais escoteira o salto, a estúpida sentava-se sobre a ovelha e, depois de a esfolar, comia-a. Presenciei duas vezes esta carnagem em que eu - animal racional- levava vantagem ao lobo tão-somente em comer a ovelha assada no forno com arroz.  De uma dessas vezes, pus sobre uns sargaços a Arte do padre António Pereira, da qual eu andava decorando todo o latim que esqueci; marinhei com a minha clavina pela parede por onde saltara a fera, e, posto às cavaleiras do muro, gastei a pólvora e chumbo que levava granizando o lobo, que raivava dentro do fojo atirando-se contra os ângulos aspérrimos do muro. Desci para deixar o lobo morrer sossegadamente e livre da minha presença odiosa. Antes de me retirar, espreitei-o por entre a juntura de duas pedras. Andava ele passeando na circunferência do fojo com uns ares burgueses e sadios  de um sujeito que faz o quilo de meia ovelha. Depois, sentou-se à beira da restante metade da rês; e, quando eu cuidava que ele ia morrer ao pé da vítima, acabou de a comer.  É forçoso que eu não tenha algum amor-próprio para confessar que lhe não meti um só graeiro de cinco tiros que lhe desfechei. As minhas balas de chumbo naquele tempo eram inofensivas como a balas de papel com que hoje assanho os colmilho de outras bestas-feras. Excerto do texto "O Degredado" de Camilo Castelo Branco, no livro "Novelas do Min